30 de ago de 2010

VERIFIQUE SE O MESMO ENCONTRA-SE PARADO NESTE ANDAR

“Medo obsedante, angustiante, que certas doenças provocam em circunstâncias determinadas”. É como o dicionário Aurélio traz o significado da palavra “fobia”. A Amanda tem algumas dessas aversões exageradas. E os elevadores figuram um dos medos mais latentes da minha esposa.

Ainda nem namorávamos, mas a Amanda já dava sinais. Em um almoço com colegas de trabalho, ela precisou ser forçada a entrar em um elevador panorâmico do shopping para não ter que subir inúmeros lances de escada.

No começo da gravidez da Maria Eduarda, sentiu uma indisposição e quis ir ao São Luis do Morumbi. Duas da madrugada. Chegando lá, travou diante de um elevador que mais parecia um túnel. Queria ir embora de qualquer jeito. Só não foi porque descobriu uma passagem quase secreta pela cozinha do hospital.

Mas chega de retomada histórica. A última cena dessa fobia aconteceu no elevador aqui do prédio. Claro que a Amanda aprendeu a administrar o medo a partir do momento que mora no 21º e último andar. Mesmo assim, fica tensa com qualquer barulho e sempre finca suas lindas unhas no meu braço.

Na última sexta-feira, estávamos descendo todos juntos. Ela indo ao trabalho; eu e Maria Eduarda aproveitando as férias a caminho da pracinha. Só que uma corrente de ar se formou e a porta de correr interna fechou antes da porta do hall. E o elevador deu aquela parada tradicional, sem sair do andar.

Num genuíno reflexo pela sobrevivência, Amanda afastou todos com o braço e disse: “Já passei por isso antes. Deixa comigo. Eu sei o que fazer”. E num movimento digno de ‘Missão Impossível’, apoiou o pé em uma das paredes do elevador e tentou abrir a porta de correr com as mãos. Percebeu a dificuldade, apoiou as costas também. Nada.


Eu e Maria Eduarda olhávamos incrédulos diante de tal cena. A mulher de nossas vidas estava completamente descontrolada, com os olhos arregalados, a respiração ofegante. Quando a primeira gota de suor já começava a tamborilar por sua testa, eu lhe avisei: “Amor, existe um botão para isso. Olha no painel”. E indiquei o botão da imagem ao lado, que foi acionado e imediatamente resolveu toda a situação.

Agora, sempre que possível, faço a imitação da Amanda dentro do elevador. Nem ela aguenta e cai na risada também. Mas por falar em riso, fico imaginando que engraçado mesmo deve ter sido para o porteiro que acompanhou de camarote todo o evento pela câmera interna. Vou ver com ele se tem a gravação para colocar no Youtube...

8 comentários:

Fabi disse...

É o instinto materno... Ela queria salvar a família. Liga, não... Hehehehe

beijos,
Fabi
http://depoisqueeudescobri.wordpress.com/

Anônimo disse...

Hehehe, eu já fiquei presa no elevador da faculdade, entre dois andares... O bom é que tudo se resolveu rapidinho!
Por isso, Amanda, eu entendo o seu sofrimento :)
Beijos e parabéns pelo blog,
Silvia (@silrosa)
http://casapalestra.wordpress.com

Amanda B Ansaldo disse...

Pois é, até eu tenho q confessar que foi uma cena peculiar...

Rose disse...

Instinto materno é uma coisa imprevisível! Com certeza eu também me atracaria com a porta.
Botão?.....que botão?

Cléo disse...

Para quem tem fobia, acredito que vinte segundos parecem duas horas, por isso, apesar não de ter esse tipo de problema, entendo a aflição da Amanda.

Sonia disse...

A Amanda não pode nem pensar em fazer ressonância magnética, pelo que me disseram, a gente fica trancada num túnel, onde não dá nem pra se mexer. Depois que eu fizer a minha amanhã, eu conto como é isso direito.

Criss disse...

Fobia não se explica!
Eu morei em apto quase 10 anos na Itália, não era 21° andar (lá nem tem prédios altos) e nunca tive medo, mas pendurar roupa na sacada, lá no meu mísero 5° andar, era passar mal. Eu tenho medo de altura e basta um banquinho para eu suar frio. Não se explica, não mesmo!

Amanda B Ansaldo disse...

Ainda bem q vcs entendem!! rsrsrs

Tia Sonia, já fiz ressonância... é ruim mesmo, mas já q vc vai fazer não vou falar tanto p não deixar vc com medo... rs