7 de mar de 2011

Leroy Maria ou Telha Eduarda

Escolher torneira é difícil? E vaso sanitário com caixa acoplada? E o que dizer então de revestimento da cozinha? Mas se tem algo que se iguala em nível de complexidade é olhar Maria Eduarda livre, leve e solta numa loja de material de construção.

Começa leve, ela topando ficar dirigindo o carrinho específico para crianças. Ela pode buzinar, virar o volante, prender o cinto de segurança. Legal, dura 3 minutos. Logo ela tenta pular do carro em movimento e percebe que tem coisa muito mais fascinante para brincar.

Isso inclui, por exemplo, em abrir todas as tampas de privadas e dizer "OI" para o interior do vaso. Faz eco, ela dá risada e já parte para o próximo. Ela entendeu que lá é a casinha do cocô e se porta como quem já tem intimidade.

Outro desafio que ela se impõe é tirar todos os preços colados com adesivo. Eu fico pensando no final do dia, os vendedores procurando o preço de um porcelanato, ou tentando entender por que uma tomada custa tanto quanto um ventilador de teto.

E tem os extras também. Como a vez que ela se deparou com um mostruário eterno de fechaduras. Um mundo novo se colocou à sua frente. Ela abriu e fechou uns 164 modelos. Depois partiu para os cofres, uma espécie de pós-graduação.

Ou ainda a tentativa de abrir uma torneira até que saia água. Não sai e Maria Eduarda nos olha com cara de "eu não vou lavar minhas mãozinhas?". A gente explica que não, mas ela tenta abrir todas as torneiras da loja mesmo assim.

Normalmente é minha a missão de cuidar da pequena nesses lugares. A Amanda entende muito mais de construção, então os momentos decisivos ficam sob sua responsabilidade. A dificuldade maior é justamente tentar ajudar a escolher o piso da sala, enquanto evito que a Maria Eduarda se jogue numa banheira de 22 mil reais.















Maria Eduarda cogitou em trocar seu chiqueirinho por uma dessas

E claro que ela vira a sensação do lugar. Tem vendedor que muda de humor assim que a enxerga. É engraçado, de forma involuntária, Maria Eduarda nos ajuda a conseguir atendimento atencioso e descontos nas negociações. Alguns atendentes já a chamam pelo nome; outros emprestam a ela a calculadora da loja. Beleza é poder!

No final de um dia de compras, estamos moídos. Na semana passada, começamos as compras às 14h30 e só chegamos em casa às 22h30. Parece que passamos o dia todo no Zoológico, ou num parque de diversões. E como estamos fazendo esse circuito diversas vezes, nossa filha já tem noção do espaço que está pisando. Sabe, por exemplo, onde fica a parte dos lustres da Barbie. E nunca podemos ir embora sem que ela passe por lá e se despeça de todos. É um ritual. Dos mais tradicionais...

6 comentários:

Cléo disse...

O trabalho de levar a Maria Eduarda nessas lojas pode ser grande, mas em compensação vc nos deliciou c/ um texto sensacional. Ao ler, pude imaginar cada cena descrita.

viviane disse...

Vcs são heróis!

Sonia disse...

Que belezinha, a Maria Eduarda é a abre-alas pras boas negociações da mamãe e do papai nas compras de material de construção. Só imagino ela passeando e se divertindo pela loja, deve ser uma figurinha.

disse...

Tô louca pra conhecer essa lindurinha, tomara que aconteça logo logo....

Rose Tambasco disse...

Texto delicioso. A gente entra em cena junto com a Maria Eduarda.
Duro mesmo é ir numa loja dessas com sua filha de 20 anos e seu filho de 24 e eles ficarem tocando todas as campainhas e interfones!Agora...imaginem voces a cena.

Fabi disse...

Vcs são heróis! [2]