28 de abr de 2011

Nostalgia em meio ao pó

Nós sempre estamos preparados para ter saudades de tudo. E aí se incluem coisas que você reclamava, detestava e apontava como causa de suas frustrações. A lista é grande: pessoas, trabalho, experiências das mais diversas. Mas outro dia me peguei sentindo falta de detalhes do apartamento que já não existe mais.

Uma bobagem, eu sei. Afinal, moro no apartamento 211 há pouco mais de 2 anos. Se alguém deveria ter alguma nostalgia, a Amanda seria essa pessoa. Mas o sentimentalismo é o nosso eterno calcanhar de Aquiles. E aí não temos muito controle sobre o que surge diante dos olhos e o impacto que sofremos.

Só sei que era quase da madrugada e eu subi lá para dar aquela espiadela na evolução da reforma. Acho que a luminosidade, ou melhor, a falta dela, ajudou a despertar uma sensação de perda. Nada racional, claro, mas ainda assim humano.

Eu comecei pela cozinha e lembrei da cadeira encostada à porta de saída, meu lugar preferido de sentar. Aí passei os olhos pela área de serviço e já não encontrei mais a mancha de cândida no piso. Afinal, que empregada não usa cândida como se fosse água benta?

Quase tropeçando pelo residual de entulho no meio da sala, notei o enorme buraco no meio da parede, o que me fez sentir a falta não só da TV naquela posição, como principalmente a abstinência da programação a cabo. E o móvel do computador, que tive o orgulho de montar, também não estava por lá. Só um vazio próximo à janela aberta. Ventava forte, naquela noite.

Logo cheguei ao banheiro principal e não encontrei mais os perfumes dispostos na prateleira de vidro, muito menos os brinquedos da Maria Eduarda espalhados pelo chão do box. Os sapatos sociais que dividiam espaço com a balança de pesar não deixaram nem uma pegada.

E terminei no quarto do casal, onde, logo que me mudei, protagonizei com a Amanda uma cena insólita ao tentar estrear um novo e chique edredom na cama, que não dobrava direito e ocupava metade da área. Foi lá também que acompanhamos assustados as primeiras noite de sono da Maria Eduarda. Enquanto não chegava a hora da próxima mamada, tentávamos comer Doritos sem fazer barulho – uma missão praticamente impossível.

Dificilmente essa nostalgia voltará. Talvez tenha sido influência do frio, de um dia difícil no trabalho, de noites mal dormidas. Enfim, ficou a lição de que o nosso passado, por mais recente que seja, é o que nos transforma e nos motiva a dar o próximo passo. Foram dois anos bons. Que venham todos os outros.

9 comentários:

Amanda B Ansaldo disse...

Nossa, eu tb tenho muito isso!! Outro dia vi fotos do começo da reforma, onde aparecia a parede da cozinha com o armario antes de tirarem e fiquei pensando "Nossa, nunca mais vou ver essa parede" rsrsrsrs

Rose Tambasco disse...

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará.. (Lulu Santos)

viviane disse...

Ai,chorei...

Marcelo Simas disse...

Fabinho:

Isso não pode estar acontecendo!
A culpa é do Edimar. Vamu mata esse cabra.
A saudade é saudável e fortalece ainda mais os laços.
Um beijo e vai dormir.

Cléo disse...

Lindo texto, onde vc coloca emoção e nostalgia na medida certa. C/ certeza, muitos e muitos passos ainda virão em direção a um futuro muito bonito. Depois esses mesmos passos vão fazer parte do passado e outros virão novamente. Afinal, esse é o ciclo natural da vida: presente, passado, futuro, presente...

Bjs

Anônimo disse...

Fábio,

Eu passei um dia, digerindo isso....

Vc acabou me dando um presente, de tanta obra,reforma, esqueci do sentimento deste lado sensível, eu já saio derrubando, mudando estava insensível...


Ta parei pq tava meio gay, mas obrigado por me lembrar o lado do morador, de sentir ver seu lar, sendo mudado, seu local de memórias, abruptamente derrubado.

Gracias meu caro

PS: É o Nelson, não consigo postar por uma conta do google.

Carmen Fiorda disse...

Esse meu genro é um menino lindo que chegou devagarinho e encantou todos nós!

Sonia disse...

Texto de pura emoção, verdade e realidade. Quem nunca sentiu saudade de um tempo bom, que atire a primeira pedra, mas outros tempos virão e serão tão bons qt os que já ficaram pra trás e depois serão lembrados com saudade novamente, já que a vida continua e tudo passa num piscar de olhos. Bjs

Tive muita dificuldade, durante uns 2 dias, pra entrar na pg dos comentários, ela não abria de jeito nenhum.

Tainã disse...

Adoro seus posts! Muita criatividade!

Reforma...será que quando terminar terei coragem de dizer que sentirei falta?! Espero que não, rs.

Bjs
Tai