24 de jul de 2011

Retrospectiva

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Cinco longos meses. E estamos de volta. Pra quem está de fora, parece exagero. Mas para ajudar a entender quanta coisa aconteceu nesse período, resolvemos fazer uma retrospectiva a partir de 15 de Fevereiro, data oficial do início da reforma no apartamento 211.

Assim que soou a primeira batida da marreta, Ronaldo Fenômeno anunciava sua aposentadoria. Do dia pra noite, todo mundo virou especialista em hipertireoidismo. O pau começava a correr solto na Líbia e no Bahein. O ditador Muammar Gaddafi mandou avisar: “Só saio daqui morto”.

Veio Março. O Brasil já era o 7º PIB do mundo e a conta da reforma não parava de subir. O Carnaval entrava em cena. No quesito evolução, o apartamento recebia uma modesta nota 7,2. E o mundo parou para acompanhar um desastre. Um tsunami arrasou o Japáo e trouxe o risco do colapso nuclear. Enquanto isso, o STF anulava o Ficha Limpa e jogavam mais água na nossa gasolina. O são-paulino Rogério Ceni marcava seu 100º gol – justamente contra o seu maior rival, o Corinthians. E José Alencar, o imorrível, morreu. O Brasil esqueceu por um dia as disputas políticas e prestou sua homenagem.

Surgiu Abril e os prazos já começavam a adiar mais que o leilão do trem-bala brasileiro. A Petrobras encontrou uma forma de ser sustentável. Aumentou o preço do combustível e sustentou ela própria. Aí veio uma das maiores tragédias urbanas de nossa história. O ex-aluno que invadiu uma escola no Realengo e matou 11 crianças antes de se suicidar. Os chineses descarregaram dinheiro para o Brasil produzir o iPad. “Yes, nóis pode”, bradaram uns. E o aeroporto de Cumbica se tornava uma extensáo da Marginal Pinheiros. Rush o dia todo, a toda hora. Sobrou ainda espaço para a contradição máxima: Renan Calheiros foi cuidar da ética no Senado.

Maio começou com uma bomba. Obama foi à TV e anunciou: “Osama bin Laden is Dead”. O mundo voltou a nutrir a paranoia de atentados. O corpo ninguém achou. Os EUA apontaram para o mar, mas sem deixar pistas. O Brasil enfim saia do armário e aprovava a união estável gay. Depois de seis anos, a nosso inflação voltava a dar as caras. E o dólar não parava de cair. O Taleban assumiu a autoria dos ataques ao Paquistáo, que resultaram en 80 mortes. E o ministro Palocci tentava explicar o milagre da multiplicação dos peixes (e do seu patrimônio). O novo Código Florestal era aprovado, enquanto o desmate na Amazônia não parava de crescer. E quando ninguém mais se lembrava, um laudo revelou a falha na sonda do Air France.

As chuvas e os ventos de junho provocaram um apagão em São Paulo. Frio em quase todo o Brasil. A Câmara aprovava o sigilo dos orçamentos para a Copa de 2014. Um gol contra em grande estilo. Teve que reconsiderar, diante de tamanha pressão popular. O Santos era tricampeão da Libertadores, consgrando Neymar e seus moicanos. O Abílio Diniz surgiu em cena para juntar Pão de Açúcar e Carrefour. BNDES disse sim, mas os franceses do Casino fizeram cara feia.

Eis Julho e a promessa de voltarmos pra casa. Mas ainda restavam morosos dias pela frente. Morria Itamar Franco, o ex-presidente do topete e da calcinha (va verdade, da ausência dela). O venezuelano Hugo Chávez confirmou ter câncer e incorporou ao tratamento uma divertida cobertura da Copa América pelo Twitter. A camareira mudava de opinião e liberava o chefão do FMI da prisão. Mais uma crise do governo Dilma: o Ministério dos Transportes andava em marcha ré. A Gol comprava a Webjet, mas as pessoas queriam saber mesmo se haveria a fusão da barrinha de cereal com o pacote de amendoim torrado.

E essa reforma acabou no dia 15 de julho. Não atrasamos nenhuma conta, ao contrário do Obama, que já previa um enorme calote do governo americano. Mudamos nas vésperas do vexame protagonizado pelo Brasil. Aquele episódio recente dos quatro pënaltis perdidos e a derrota para o Paraguai.

O mundo mudou bastante nesses últimos 5 meses. Agora, é hora de viver a nossa nova e própria história dentro do apartamento 211. As folhinhas do calendário continuam a cair...

7 comentários:

Gabis Miranda disse...

E em junho nasceu Benjamin, filho da Gabi e do Wal, possível pretendente da Duda. Rsrs

Claudia Sanches disse...

Fabinho, adorei o texto. Você é nota 10!!! Muitas felicidades no apto novo!!! Beijinhos pra toda família.

Cléo disse...

E o que parecia interminável, terminou. De volta ao apê 211, agora é curtir cada cantinho reformado. Bjs

Sonia disse...

Que gostoso que foi ler esse texto e acompanhar td a reforma do 211, o apê mais famoso dos últimos tempos, agora é só viver a nova vida na casa nova. Boa sorte pra vcs

Gaby Mendes disse...

Que texto gostoso de ler, até me atualizei,hehehe.
Boa sorte para vcs no 'novo' apê!

www.gabymenddes.blogspot.com

Nathalya Carvalho disse...

Adorei o texto, muito criativo e despojado. Contou várias coisas de uma maneira sincrética e engraçada! =***

viviane disse...

Sensacional,Fabinho! Parabéns pelo texto e,ah,claro, pela reforma bem sucedida!